domingo, 11 de julho de 2010

O Uso do Vídeo como Recurso nas Salas de Leitura

A partir das discussões em torno da leitura sugeridas pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) do Ensino Fundamental e, em consonância com a Proposta Curricular para o Ensino da Língua Portuguesa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Rio do Sul (2008), o projeto Salas de Leitura entende e acredita que a leitura seja um processo ideovisual, apoiado em informações recebidas através da visão e das informações encontradas nas estruturas cognitivas do leitor. Assim, compreende-se a leitura como um processo interativo no qual a produção de sentidos acontece de forma partilhada.

Segundo o ponto de vista da estética da recepção associada a Hans-Robert Jauss, percebe-se uma alteração substancial nos estudos críticos, pois as obras são examinadas sob a perspectiva do receptor. Ele é o eixo e é a partir do leitor que os textos são examinados. Em sua teoria da Estética da Recepção o conceito de receptor fundamenta-se em duas categorias: a de horizonte de expectativa e a de emancipação. Enquanto o primeiro é um misto dos códigos vigentes e da soma de experiências sociais acumuladas, o segundo entende o efeito atingido pela arte como uma liberação do destinatário das percepções usuais, conferindo-lhe uma nova visão da realidade.
Jauss entende a função da literatura como a relação desta com o seu leitor, defende a premissa de que a arte não é reprodução dos eventos sociais, mas desempenha um papel atuante, ao fazer história e participar do processo de pré-formação e motivação do comportamento social. Ele concebe a recepção como um envolvimento intelectual, sensorial e emotivo com uma obra.
De acordo com a Proposta Pedagógica de Salas de Leitura (2008) a metodologia utilizada nos encontros de leitura em dois momentos distintos. O primeiro denominado de leitura fruitiva e o segundo de leitura formativa. Para a primeira etapa, após o término da leitura e/ou contação não haverá nenhuma atividade de exploração lúdica, uma vez que seu principal objetivo é o contato com bons textos elevando-os à categoria de obra de arte.
Para a leitura formativa, serão feitas atividades de exploração lúdica sempre na perspectiva de formação do leitor competente, fazendo vistas à intertextualidade e desconstrução do clássico, relativizando verdades, levando à reflexão, promovendo o espírito crítico e criativo.
Nesse ponto e de acordo com Santos (2008) propõe a utilização do vídeo como forma de acrescentar os momentos da leitura formativa e a desconstrução dos Clássicos com a utilização do vídeo:

• Desconstrução do Clássico. Produção de vídeos pelos alunos a partir de temas literários;

• Leitura de imagens a partir de cartuns, propagandas, noticiários, novelas de época etc.

• Releitura de diversos vídeos em envolva a Literatura;

• Revisitamentos de obras. Exemplo de vídeo: Deu a Louca no Chapeuzinho Vermelho, Menina Má Ponto Com...

• Gravação de poesias em programas de áudio e vídeo.

• Filmagens de eventos produzidos pelas Salas de Leitura: chás ou saraus literários, encontro com o escritor, clube da leitura e etc.

• Postagens dos vídeos produzidos pelos alunos em blogs.

Após a seleção prévia do material a ser utilizado nas Salas de Leitura, o professor poderá organizar as suas aulas utilizando usando uma das estratégicas acima e desenvolver atividades promotoras de leitura.
Os vídeos utilizados deveram ser utilizados como ferramenta pedagógica, a fim de ampliar o universo da leitura dos alunos e desenvolver o gosto pela leitura em geral.
Nesse sentido, as salas de leitura são espaços essenciais para o exercício de práticas leitoras, de modo que a leitura e, em especial a Literatura, possa ser vivida das mais diferentes formas. O trabalho nesses espaços aponta a formação de leitores capazes de dialogar com diferentes textos e seus respectivos suportes textuais. Assim, propõe-se a convergência dos textos encontrados nos livros com os que circulam na TV e em vídeos, uma vez que, segundo a concepção do educador Paulo Freire: “a leitura de mundo precede à leitura da palavra”.

Em todas as áreas do conhecimento podemos utilizar dos recursos da TV/Vídeo. Basta para isso, conhecer o material e interligá-lo ao assunto que queremos desenvolver.
Esses recursos têm que ser usados como propiciadores de conhecimento, incentivadores, encantadores nas aulas e não como mais um recurso para entreter os alunos.
A sua eficácia se faz quando promove mudanças, acrescentando algo de importante na vida dos alunos.
Se atualmente temos essa gama de informações tecnológicas, façamos que elas sirvam como instrumentos no processo de ensino aprendizagem à favor de uma educação de qualidade.

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